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Bolsa Família: Dá para viver “muito bem” só com o benefício?

Após completar 20 anos de criação em outubro de 2023 e ter em seu histórico a contribuição para que o Brasil deixasse o mapa da fome em 2014, foi apenas neste ano em que pela primeira vez o poder de compra proporcionado pelo benefício foi superior ao valor equivalente ao de uma cesta básica. O valor médio que o programa Bolsa Família paga aos beneficiários no Ceará alcançou R$ 832,42 no mês de julho.

Montado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o estudo da cesta básica de alimentos dos brasileiros é composto de 12 produtos mínimos para a sobrevivência, que custaram R$ 618,32 em janeiro (mês analisado para termos o comparativo em relação ao valor repassado pelo Bolsa Família).,

Vale destacar que a cesta básica do departamento leva em consideração o consumo alimentício básico de apenas uma pessoa. Conforme a própria entidade, o salário mínimo necessário para sustentar uma família de dois adultos e duas crianças foi o equivalente a R$ 6.995,44 em junho passado.

Para o Bolsa Família, o ano de 2023 representou um marco na história da política de assistência social. O valor do benefício foi incrementado pagando o mínimo de R$ 600 e as condicionantes para acesso ao programa foram aperfeiçoadas.

Foi dada atenção extra a lares em que mulheres sejam as chefes de família e em que existam crianças na primeira infância (zero aos cinco anos e 11 meses).

Em períodos anteriores à pandemia, o valor médio do Bolsa Família era bem menor e o poder de compra era limitado, variando entre 42,9% e 57% do equivalente ao preço da cesta básica.

Supervisor técnico do Dieese no Ceará, Reginaldo Aguiar aponta que o gasto de maior peso para as famílias mais pobres é a alimentação, com quase a totalidade dos ganhos sendo destinada a esses custos. Por isso, considera importante a valorização do Bolsa Família.

Reginaldo lembra que o patamar de pagamentos do programa repõe as perdas ocasionadas pela inflação, já que o índice foi amplamente impactado pelos aumentos nos preços dos alimentos, que, ainda que tenham dado trégua nos últimos meses, estão em nível bem superior ao período pré-pandemia.

“O beneficiário do Bolsa Família é aquele que vive em situações calamitosas sem o programa, então eles demandam um tratamento diferenciado para que deixem a condição de vulnerabilidade e alcance o patamar de pessoa que tem a possibilidade de fazer três refeições no dia. O programa tem um olhar humanitário”.

Reginaldo ainda enfatiza que transferência de renda não é exclusividade do Brasil, já que na Europa, desde a época das políticas de bem-estar social, e nos Estados Unidos, desde a pandemia, pagam-se auxílios grandiosos.

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