
85% das crianças matriculadas no 2º ano do ensino fundamental (série cuja ação pedagógica tem como foco a alfabetização) alfabetizadas na idade certa, o Ceará tem 9 cidades onde 100% desses estudantes sabem ler e escrever, portanto, estão alfabetizados. O cenário foi constatado pelo Ministério da Educação (MEC), a partir da criação de um indicador.
O levantamento é o mesmo que apontou o Ceará como o único estado brasileiro que em 2023 já superou a meta traçada pelo Governo Federal de chegar ao índice de 80% de alfabetização no país até 2030.
No 1º Relatório de Resultados do Indicador Criança Alfabetizada, divulgado nesta semana pelo MEC, constam os dados por estado e por cidade. O monitoramento foi feito pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) a partir da junção de dois resultados:
No caso do Ceará, a avaliação que mediu o indicador de alfabetização com padrão nacional foi realizada em junto à aplicação Spaece, avaliação estadual censitária e anual que monitora os níveis de aprendizado dos alunos do 2º, do 5º e do 9º ano do ensino fundamental da rede pública.
Esses parâmetros comuns para monitorar a alfabetização são inéditos e foram criados pela atual gestão do MEC, tendo sido anunciados em 2023. Antes, o país não tinha um indicador nacional visto que cada avaliação (municipal, estadual e nacional) segue parâmetros específicos de definição de alfabetização.
Dentre as 184 cidades cearenses, em 9 delas, a constatação foi de 100% das crianças da rede pública alfabetizadas em 2023, são elas:
– Altaneira
– Catunda
– Coreaú
– Forquilha
– Milhã
– Nova Olinda
– Piquet Carneiro
– Potiretama
– Senador Pompeu
Em todos os casos são cidades de pequeno porte com menos de 30 mil habitantes em cada uma delas. Esses municípios também tem o cenário positivo de terem contado em 2023 com 100% de participação dos estudantes do 2º ano do fundamental na avaliação externa, com exceção de Senador Pompeu, cuja participação foi de 99,8%.
Na avaliação do presidente da União dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) no Ceará, José Marques Aurélio, as evidências geradas pelos resultados positivos do Ceará “revela a grande importância do investimento educacional desde a base, começando na Educação Infantil e dando continuidade no ensino fundamental”. Para ele, o regime de colaboração – entre Estado e municípios – é um forte aliado na configuração desse cenário.
Porém, ele ressalta que há alguns fatores que precisam de uma atenção especial. Um deles é a situação de alunos recebidos pelos municípios cearenses oriundos de “outros estados brasileiros”. Outro ponto é a frequência e “não deixar nenhum aluno no caminho”, completa.
As nove cidades que tiveram a taxa de alfabetização em 100% no indicador do MEC, afirma Aurélio, “tiveram um foco maior na frequência, participação na avaliação e praticamente sem fluxo na matrícula”. Esse último elemento, pondera ela, no processo de alfabetização é um dos principais desafios.
Além disso, reitera que outros pontos de alerta são: os alunos recebidos ao longo do ano de redes de ensino de outros estados e a necessidade de mais recursos para investimentos em valorização profissional e formação.
(Com informações do Diário do Nordeste)





