
A região da Serra da Ibiapaba é um importante polo de produção agrícola, representando 44,3% do que se produz no Estado. É nessa região, em Ubajara, que o empresário Tiago Romano tem uma área de 9 hectares onde fez o primeiro experimento em setembro de 2022 e hoje já se encontra com uvas viníforas no pé.
A ideia é produzir vinho e também estimular o enoturismo, com a implantação de uma vinícola e abertura de um hotel na mesma propriedade.
Para viabilizar esse empreendimento, Tiago fez um aporte financeiro no montante de R$ 1,5 milhão.
No que tange ao aspecto da tecnologia de plantio Tiago vem recebendo, há 2 anos e meio, consultoria especializada para concretizar seu projeto.
Ele relata que tudo começou no período da pandemia, que foi difícil para o comércio e, durante um banho de chuva, teve a ideia de cultivar a fruta nos moldes que viu durante viagens à Europa, Canadá e Chile – a maioria em modelos pequenos de plantio.
“Fiz os levantamentos do que eu já tinha, trouxe os especialistas do Sul para confirmar o que até então era achismo. Posteriormente, pegamos toda a tecnologia já desenvolvida pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) E dentro desse estudo escolhemos sete cultivares”, explica o empresário.
A lista de uvas que vão dar cor e gosto à marca Terroir Romano engloba as tintas Shyrah, Cabernet Sauvignon, Malbec, Cabernet Franc, Pinot Noir, além das brancas Chardonnay e Moscato Giallo.
Outro detalhe é que Tiago frisa que os hectares têm parte da área preservada, ou seja, não devastada.
“Montamos projeto em equilíbrio total com a natureza, além do cultivo ser manual, com foco na qualidade das uvas, gera mais empregos. Montamos a estrutura do parreiral com madeira de Sabiá E não de eucalipto. Peguei Sabiá em um plantio licenciado próximo aqui do parreiral.”
Dentre os desafios de cultivo, ele cita a mão de obra ainda não qualificada e as uvas Pinot Noir e Chardonnay.
“Elas requerem um cuidado especial, mas estamos fazendo o processo de adaptação dessas duas”, detalha, acrescentando também que teve de trazer alguns insumos de fora.
Dos cuidados a se manter, a maior preocupação é com relação ao aparecimento de fungos. Com o mercado, se junta ainda a possibilidade de uma rota gastronômica na serra.
“No futuro a gente vai processar e fazer vinho aqui. Mas agora essa uva vai ser colhida à noite, levada em câmara fria para Petrolina (PE) e lá vamos vinificar os primeiros vinhos”, complementa Tiago, que pensa em uma precificação de R$ 90.
O consumo inicial do vinho vai se dar de forma local em restaurantes e hotéis da região e pelos turistas que irão conhecer os parreirais.
Em suma, o calendário de todo o projeto prevê colheita das uvas no fim deste mês para em julho, nas férias, iniciar a visitação já com o vinho pronto, aproveitando também a área para eventos. Já o hotel é estimado para o fim de 2025.
(Redação do Blog Por Beatriz Cavalcante do O POVO)





