
A posição de Lígia Protásio, prefeita de Santa Quitéria, é de neutralidade em relação ao projeto de extração de fosfato e urânio da localidade. Ela diz que vai seguir decisão do Ibama. “Estou pegando conhecimento tanto da Galvani como do Consórcio Santa Quitéria, como também das comunidades, que são contra”, diz.
E acrescenta: “Eu estou aguardando de fato a liberação do Ibama para eu poder me posicionar.”
Mas ela reforça que já vem vendo retorno da Galvani quanto à parte social, e cita o projeto Era uma vez, que vai levar 18 estudantes do município para Portugal.
Dentre os principais temores das comunidades do entorno da jazida de urânio, a prefeita diz que os moradores de Morrinhos, Queimadas e Riacho das Pedras, citam o de o local já ter dificuldade de captação de água conviver com projeto que demanda o recurso.
Outra questão é a qualificação. “Inclusive, eu visitei recentemente a Fiec. Também estou em conversa com Brasília para a gente poder colocar um IFCE em Santa Quitéria”.

Sobre o projeto, quem esclarece da Galvani é Christiano Brandão, gerente corporativo de Licenciamento e Meio Ambiente.
Agora o gestor tem para si a meta de terminar o estudo para entregar as informações complementares pedidas pelo Ibama, que ele espera conclusão da nova análise no primeiro semestre de 2024.
O representante da Galvani também diz que vem fazendo um trabalho de combate a informações falsas e detalha que os relatos são de insegurança em relação ao projeto ser causador ou intensificar situações relacionadas a câncer, ou até mesmo comparações com outros projetos, que “são completamente diferentes”.
Ele fala de Caetité (BA) e diz que lá é uma jazida de urânio e em Santa Quitéria é de fosfato, “que contém traço de urânio”. Defende também que o projeto da Bahia tem barragem de rejeitos e que o de Santa Quitéria não contém. “São projetos completamente incomparáveis não faz o menor sentido comparar.”
Outro aspecto levantado por Christiano é que a Galvani há mais de 50 anos trabalha com fertilizantes e mineração e possui sistemas de tecnologia para evitar a emissão de poeira.
Em conversas com as comunidades na semana passada, ele diz que “quase perdeu a conta”, mas chegou a duas reuniões por dia em Santa Quitéria e Itatira, municípios impactados pela jazida.
Sobre o temor da falta de água, o especialista frisa que o projeto vai trazer sistema permanente de abastecimento, beneficiando os moradores. Sobre a segurança do transporte do material até o Pecém, acrescenta que “são no máximo 12 transportes, praticamente um comboio por mês.
Sobre a vinda de cerca de 2 mil pessoas de fora para trabalhar na fase das obras, Cleber Andrioli, gerente de Sustentabilidade, Comunicação, detalha que a Galvani trabalha para alocá-las nos alojamentos da empresa, para que elas fiquem na área do Consórcio.
Praticamente será construída uma mini cidade para estes trabalhadores, com até mesmo sorveteria.
A ideia, diz, é reduzir o impacto de tantas pessoas chegando à região.
(Da Coluna da Beatriz Cavalcante, no Jornal O POVO)





