A exploração de uma riqueza natural em umas das regiões de mais baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Ceará, do Nordeste e do Brasil é um fato relevante. Santa Quitéria é do interesse de um consórcio de empresas ávidas por explorar urânio e fosfato, com investimento anunciado de R$ 2,3 bilhões, 2,8 mil empregos diretos e R$100 milhões de massa salarial anual. As ponderações ambientais devem ser levadas a sério, mas como apedrejar um “não” para um município cuja economia é dependente do FPM, de Cota Parte de ICMS, do dinheiro da Previdência e de convênios?

O biólogo e vereador de Fortaleza, Gabriel Aguiar (Psol), fala em impactos ambientais graves. “A área a ser explorada hoje é uma área preservada de caatinga nativa. É uma vegetação exuberante, de um bioma que hoje conta com 86 espécies ameaçadas de extinção, sendo 46 endêmicas”, já declarou. Ele cita zona com cavernas milenares com diversidade típica, além de ser a nascente de rios importantes. Em se tratando de mineração, aponta a explosão de cavernas, devastação de áreas da caatinga e o acúmulo de rejeitos. Desenha uma tragédia.
No ano passado, ele apontava ser o projeto “prioridade no Governo Bolsonaro, que está investindo milhões de reais na instalação da mineração. Mas Bolsonaro não consegue tocar esse projeto sozinho, o governador Camilo Santana também precisa apoiar esse empreendimento para ele caminhar. Até agora o Camilo não fez qualquer fala contra a mineração de urânio, o que está apavorando os cearenses”. Este ano em suas postagens não fala em Lula ou Camilo. Mira em Elmano.
Estes dias, a propósito e à francesa, o governador Elmano de Freitas (PT) assinou memorando com os investidores. O Consórcio Santa Quitéria – formado pelas Indústrias Nucleares do Brasil S.A. e pela Fosfatados do Norte-Nordeste S.A. – comprometeu-se a seguir a legislação ambiental, bem como “realizar todos os monitoramentos e controles necessários para a garantia da segurança de suas operações e das comunidades do entorno”.
Conterrânea opinião
O secretário-executivo de Energia e Telecomunicações, Adão Linhares, natural de Santa Quitéria, disse: “Uma excelente oportunidade de exploração de nossos recursos minerais. A tecnologia evoluiu com processo a seco, sem a necessidade de represa de rejeitos”. Ele destaca que a infraestrutura necessária, adutora, energia e estradas, proverá benefícios para as comunidades locais e arredores, entre os municípios de Itatira e Santa Quitéria, com os distritos de Lagoa do Mato, Riacho das Pedras, entre outros.

“Teremos uma vila residencial com mais 5 mil habitantes relacionados com a usina. Significará escolas, hospitais e serviços públicos de enorme valor para aquela região. Eu sou de lá. Conheço aquelas serras. Serra do Céu, Itataia, São Nicolau, Muribeca, Grossos”, afirmou. E rebateu: “Quem é contra não é de lá nem conhece a região”. Para ele, há desinformação sobre o conteúdo técnico e muitas “narrativas” sobre o urânio e sua radioatividade.
Santo direito
Segundo Adão, será minerado e não concentrado, mas somente transformado em minério separado do fosfato. Será transportado para Resende, no Rio de Janeiro. Lá, diz, será concentrado até concentração correspondente à produção de pastilhas de elementos combustíveis. Só então a ser utilizado nas usinas nucleares brasileiras de Angra dos Reis e também exportado. “Todos estes processos estão assegurados com todas as condicionantes e exigências ambientais inerentes”.
A população de Santa Quitéria tem o direito de vislumbrar novas e importantes receitas com o ativo valioso que possui. O Estado tem o dever de pensar primeiro nas pessoas. Havendo segurança, como fazer de conta que não há?
(Da coluna do Jornalista Jocélio Leite, no Jornal O POVO)





