
A audiência pública realizada no último dia 1º/09 pela Comissão Nacional dos Direitos Humanos e Dhesca Brasil, sobre a exploração da mina de Itataia em Santa Quitéria, apontou novamente divergências entre os órgãos oficiais e os grupos contrários à abertura do empreendimento. Um dos principais pontos abordados foi em relação à saúde das pessoas que moram em comunidades do entorno, principalmente em referência ao aumento de casos de câncer.
Guilherme Zagallo, relator da Dhesca, afirma que contabilizou durante os relatos, uma conta de 7 ou 8 vezes mais casos da doença lá, mas podem ser até mais. “Em Saco do Céu, por exemplo, uma testemunha informou 30 casos para uma comunidade de 1.500 pessoas. Não faz sentido um comunidade ter a mesma taxa da sede do município de Santa Quitéria. É simplesmente uma coisa absurda”, pontuou.
A secretária-executiva de Políticas de Saúde da SESA, Mônica Souza Lima, disse em seu discurso que não há, no momento, nenhuma patologia que se sobressaia de forma geral no município e que a maioria dos óbitos na região se dá por doenças cardiovasculares, como acontece em todo o estado. “São por AVC ou infarto. A gente vem em segundo lugar pela morte externa, ou violência ou acidentes e os cânceres, como no estado, estão em terceiro lugar”, declarou.
Por meio de nota, o Consórcio Santa Quitéria apontou que não há estudos que demonstrem relação entre a abertura das atividades de pesquisa nas galerias e a incidência de câncer. “Não haverá aumento de casos devido à operação em Santa Quitéria. Os níveis de radiação durante a operação do projeto não serão prejudiciais à saúde das comunidades locais e dos trabalhadores, uma vez que as doses geradas serão controladas para que não ultrapassem o limite estabelecido pela CNEN”, completa a INB e Galvani.
A comitiva do CNDH submeterá em até 45 dias o relatório final, que também incluiu visita à fazenda Itataia. A partir disso, o Conselho irá deliberar as considerações e expedirá as recomendações ao poderes públicos relacionados e o empreendedor do projeto, de acordo com a conselheira do CNDH, Virgínia Berriel.
Presente na audiência em Fortaleza, a agricultora e representante dos assentamentos Queimadas e Morrinhos, Rejane Mateus, diz que “conseguiu mostrar as denúncias e fomos ouvidos, tenho certeza de que eles não irão fechar os olhos para todas as violações que foram apresentadas. A principal delas é o nosso direito à vida.”
(O POVO)





