O debate sobre a exploração da jazida de Itataia, em Santa Quitéria, ganhou novos argumentos após mudanças no projeto de mineração de fosfato e urânio. Segundo o engenheiro Adão Linhares Muniz, natural do município e especialista do setor energético, a proposta atual incorpora tecnologias que reduzem impactos ambientais e respondem a preocupações antigas da população.

De acordo com ele, uma das principais mudanças é a adoção do beneficiamento a seco do minério, tecnologia que elimina a necessidade de barragens de rejeitos. O sistema também prevê o reaproveitamento da água utilizada no processo industrial, reduzindo o consumo hídrico e evitando o lançamento de efluentes no meio ambiente. Além disso, os resíduos sólidos seriam armazenados em estruturas impermeabilizadas e monitoradas.
Apesar dos avanços tecnológicos, o consumo de água continua sendo um dos pontos mais discutidos. O projeto prevê captação hídrica para a operação da mina, mas a legislação determina prioridade absoluta ao abastecimento humano e à dessedentação animal em períodos de escassez. O licenciamento ambiental deverá estabelecer mecanismos de controle e fiscalização para garantir o cumprimento dessas regras.
Um dos aspectos destacados por Linhares é a construção de uma adutora que deverá atender não apenas o empreendimento, mas também comunidades vizinhas que atualmente dependem de cisternas e carros-pipa. A expectativa é que localidades como Riacho das Pedras, Morrinhos e Queimadas passem a contar com abastecimento regular de água tratada.
O engenheiro também defende que o empreendimento pode gerar impactos positivos na economia local, com investimentos bilionários, criação de empregos e qualificação profissional para moradores da região. Além disso, a produção de fertilizantes fosfatados contribuiria para reduzir a dependência brasileira de importações, enquanto o urânio poderia reforçar o abastecimento do setor nuclear nacional.
Por outro lado, o projeto segue cercado de debates e questionamentos ambientais. Especialistas, pesquisadores e movimentos sociais defendem que o licenciamento mantenha rigorosos critérios de avaliação, especialmente em relação ao uso da água, ao monitoramento radiológico e à proteção das comunidades próximas à área de exploração.





