
Mais de 80 municípios cearenses registraram chuvas no período desta manhã, de acordo com o boletim da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), observado entre as 7 horas dessa quinta, 13, e as 7 horas desta sexta-feira, 14. Mesmo após o fim da quadra chuvosa (fevereiro a maio), o Estado ainda pode registrar precipitações em algumas regiões.
Enquanto a quadra chuvosa ocorre devido à atuação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), as precipitações que acontecem no período de pós-estação, de junho até meados de julho, são explicadas por outros sistemas meteorológicos.
De acordo com Lucas Fumagalli, meteorologista da Funceme, um dos principais fatores são os Distúrbios Ondulatórios de Leste (DOL), que favorecem a formação de áreas de instabilidade no Estado.
“São regiões de baixa pressão que se deslocam do Oceano Atlântico em direção à Região Nordeste e acabam favorecendo a formação de áreas de instabilidade sobre a região”, explicou.
Além dos DOL, os cavados favorecem a ocorrência de chuvas no Estado durante essa época. Lucas explica que são regiões alongadas onde a pressão é menor, formadas próximo à costa do litoral leste da região Nordeste, e também favorecem a formação de áreas de instabilidade das nuvens.
Durante o período de pós-estação, esses dois sistemas acabam “trabalhando juntos” na ocorrência de chuvas no Estado, como a precipitação observada entre essa quinta e sexta-feira na Capital.
“O que a gente observou, por exemplo, foi a combinação entre esses dois eventos. A gente tem um cavado no leste da região Nordeste que levanta as nuvens e depois são deslocadas pelo vento na direção do Estado do Ceará. As áreas de instabilidade que se formam ali no Rio Grande do Norte acabam vindo na direção do Ceará. E também tem um DOL que se deslocou ao longo dos últimos dias do Oceano Atlântico para a região Nordeste e que também favoreceu a formação dessas precipitações”, apontou.
Essas chuvas ocorrem, principalmente, na parte litorânea do Estado, porém as precipitações também foram registradas no Maciço de Baturité e em partes do Sertão Central e da Jaguaribana, por exemplo.
“Há muita instabilidade em todas as macrorregiões do Estado, mas a chuva deve ser mais generalizada, principalmente no Centro Norte que fica mais próximo da faixa litorânea. No sul, apesar de ter bastante nebulosidade, as chuvas devem ser mais isoladas, principalmente no Cariri, nessa parte mais ao sul do estado”.
A ocorrência dessas chuvas mesmo após o fim da quadra chuvosa é normal e esperada no Estado, ocorrendo de junho até meados de julho.
“Em junho e também até a metade do mês de Julho a gente ainda costuma observar. Depois da segunda quinzena de julho, há uma redução um pouco mais significativa da precipitação, porque esses sistemas acabam não atuando mais com tanta frequência e, no período da estação seca, deixam de atuar […] Eventualmente, pode acontecer ao longo de julho, mas, após a primeira quinzena, já há uma mudança mais significativa das condições do tempo no Estado”, detalhou Lucas.
Efeitos locais também podem favorecer a formação de chuvas pontuais no Ceará, como o sistema de brisa — que se forma devido a diferença de temperatura entre o oceano e o continente — calor, umidade e interação dos ventos.
“Para ter uma chuva mais generalizada, é preciso que algum sistema meteorológico de maior escala, digamos assim, esteja atuando. Seja um Distúrbio Ondulatório de Leste ou os cavados”, finalizou.
(O POVO)





