
Uma técnica inovadora desenvolvida no Ceará está trazendo esperança para cavalos feridos pelas enchentes no Rio Grande do Sul. Curativos feitos com pele de tilápia estão sendo utilizados para acelerar a cicatrização de lesões nos animais, principalmente nas patas, que sofreram com o longo tempo submersas na água.
No início do mês de junho, um primeiro lote de 70 unidades dos curativos biológicos foi enviado para o estado gaúcho. No momento, mais de 300 peles estão sendo preparadas na Universidade Federal do Ceará (UFC) para um possível novo envio.
A pesquisa sobre o uso da pele de tilápia no tratamento de feridas teve início em 2015 no Ceará, idealizada pelo médico Edmar Maciel, cirurgião plástico e presidente do Instituto de Apoio ao Queimado (IAQ). Inicialmente, os estudos investigavam a aplicação em queimaduras, mas logo se expandiram para outras áreas, como feridas em geral, cirurgias ginecológicas e terapias regenerativas.
Em 2020, a técnica foi utilizada pela primeira vez em animais silvestres, para auxiliar na cicatrização de queimaduras em cavalos durante as queimadas no Pantanal. O método também já foi aplicado com sucesso em outros países, consolidando-se como uma alternativa promissora no tratamento de lesões.
A pele utilizada nos curativos é retirada da tilápia-do-nilo, um peixe de cativeiro abundante no Nordeste, de fácil reprodução e criação. A maior parte das peles utilizadas na pesquisa vem do município de Itarema, no Litoral Norte do Ceará, através do projeto Piscicultura Bomar.





