
A Universidade Estadual do Ceará (Uece) está desenvolvendo uma pesquisa para identificar características que permitam a cabras e ovelhas suportar melhor as altas temperaturas e os períodos prolongados de estiagem, sem comprometer a produção de carne e leite.
O projeto reúne pesquisadores do Brasil, Argentina e Uruguai e busca desenvolver técnicas de criação mais eficientes, sustentáveis e adaptadas às condições climáticas do Semiárido.
A iniciativa ganha importância diante do avanço da seca no Ceará. Em setembro de 2026, aproximadamente 89% do território cearense enfrentava algum nível de estiagem, segundo dados do Monitor de Secas.
A falta de chuvas prejudica diretamente a criação de caprinos e ovinos, principalmente pela redução das pastagens utilizadas na alimentação dos animais. Associada às temperaturas elevadas, essa situação pode provocar perda de peso, queda na produção de leite e dificuldades reprodutivas.
Coordenada pelo professor e pesquisador Davide Rondina, a pesquisa terá duração de três anos, com conclusão prevista para 2028.
Os cientistas irão analisar fatores genéticos, metabólicos e comportamentais dos animais para identificar características que favoreçam sua adaptação às condições ambientais adversas.
O objetivo é garantir maior resistência dos rebanhos, melhorar a produtividade e reduzir os prejuízos enfrentados pelos produtores rurais durante os períodos de seca.
Uma das experiências já desenvolvidas envolve o cruzamento das raças Dorper e Santa Inês, buscando reunir características de boa produção de carne e adaptação ao clima brasileiro.
Resultados preliminares de trabalhos relacionados já foram apresentados a produtores rurais e técnicos das regiões dos Inhamuns e do Maciço de Baturité.
A expectativa é que os conhecimentos obtidos contribuam para fortalecer a criação de cabras e ovelhas, atividade de grande importância econômica para milhares de famílias do interior cearense.





