
Um grupo de professores e pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC), juntamente com lideranças indígenas, intensificou a oposição ao projeto minerador de Santa Quitéria, que prevê a exploração de urânio e fosfato. O movimento antinuclear alerta para os potenciais impactos ambientais e sociais da iniciativa, que aguarda licenciamento do Ibama.
Na última sexta-feira, a Assembleia Legislativa do Ceará (Alece) sediou uma audiência pública presidida pelo deputado Renato Roseno (Psol), onde foi apresentado o Protocolo de Consulta Prévia, elaborado pelas etnias Tabajara, Potiguara, Tubiba-Tapuia e Gavião. O documento, construído com relatos de quase mil famílias de 28 aldeias, exige respeito aos territórios indígenas.
Durante a IV Jornada Antinuclear do Ceará, promovida pela Adufc, pesquisadores apresentaram avanços em estudos que analisam os impactos ambientais, sociais e econômicos do empreendimento. “Nossas produções científicas evidenciam as inconsistências e irregularidades nos estudos apresentados ao Ibama”, afirmou a médica e socióloga Raquel Rigotto, líder do Núcleo Tramas da UFC.
O projeto minerador, conduzido pelo Consórcio Santa Quitéria, formado pela estatal Indústrias Nucleares do Brasil (INB) e pela empresa Galvani, pretende investir R$ 2,5 bilhões para explorar a maior jazida de urânio do Brasil. Entretanto, a proposta enfrenta críticas por prever o uso de 855 mil litros de água por hora, em uma região que já sofre com escassez hídrica, impactando comunidades locais.
Lideranças indígenas, como o Kacique Aroerê Tabajara e o Pajé Akumaru, destacaram a importância da preservação dos recursos naturais. “A água é o bem mais precioso para a sobrevivência das comunidades”, afirmou o cacique, referindo-se à necessidade de priorizar o abastecimento local ao invés de destiná-lo ao empreendimento.
Apesar das críticas, o Governo do Ceará mantém um memorando de entendimento favorável ao projeto, enquanto o Ibama adiou as audiências públicas para fevereiro de 2025. O Consórcio Santa Quitéria afirmou que a mudança não afeta o cronograma, que prevê início da operação até o final de 2028.
O reitor da UFC, Custódio Almeida, enfatizou a necessidade de diálogo e valorização do conhecimento científico na busca por soluções, enquanto o reitor da Uece, Hildebrando Soares, defendeu um modelo de desenvolvimento inclusivo para o Estado.
A controvérsia continua, com setores da sociedade civil e da academia cobrando mais transparência e respeito às comunidades impactadas.





