O Ceará incluiu mais 19 mil beneficiários no Auxílio Brasil no mês de setembro. O valor dos recursos transferidos ao Estado também saltou de R$ 867,8 milhões para R$ 881,7 milhões, de acordo com dados divulgados ontem pelo Ministério da Cidadania.
O benefício médio pago no estado será de R$ 606,50. O Ceará é o terceiro estado da Região Nordeste e o sexto do Brasil com maior número de famílias beneficiadas pelo programa nesse mês. O número de contemplados no estado passou de 1,437 milhão no mês passado para 1,456 milhão neste mês.
Neste mês, oito estados brasileiros terão mais de um milhão de famílias atendidas pelo Auxílio Brasil. Em primeiro lugar no ranking, está a Bahia, com 2,5 milhões de beneficiários. Em seguida, aparecem São Paulo (2,4 milhões de famílias), Rio de Janeiro (1,7 milhão), Pernambuco (1,6 milhão), Minas Gerais (1,5 milhão), Ceará (1,4 milhão), Pará (1,3 milhão) e Maranhão (1,2 milhão).
A diretora da Rede Brasileira de Renda Básica, Paola Carvalho, alerta, porém, que o Ceará, mesmo com o aumento do número de beneficiários, ainda atende muito menos do que devia, considerando que o Auxílio Emergencial atendeu 3,5 milhões de famílias entre os anos de 2020 e 2021.
“Significa que mais de 2 milhões de famílias recuperaram sua condição econômica? Saíram da pobreza? Não sabemos, pois o governo colocou na lata do lixo os dados coletados no Auxílio Emergencial e só usa os dados de quem está conseguindo entrar no Cadastro Único”, afirma.
Ela classifica a expansão do programa às vésperas das eleições como uma medida eleitoreira, mas chama atenção para o impacto que a inflação alta e os juros acabam tendo sobre a renda dessas famílias.
“A alta taxa de inflação e de juros prejudica os trabalhadores a ponto de as medidas eleitoreiras do governo não surtir efeito na vida deles. A situação do Ceará é gravíssima, estando entre os estados que têm mais beneficiários de políticas de renda do que de carteira assinada.”
A pesquisadora explica que, na prática, mesmo com a deflação registrada nos últimos dois meses, o poder de compra do beneficiário de programas sociais é menor do que na época do Auxílio Emergencial.
“Mesmo recebendo RS 600, o povo acaba conseguindo comprar menos do que os R$ 600 do Auxílio emergencial. Para fins de comparação, quando conquistamos o Auxílio Emergencial em 2020, a cesta básica mais cara do Brasil custava R$ 577. Agora, a mesma cesta básica está R$ 744″, criticou.
Em todo Brasil, 20,6 milhões de famílias receberão o benefício em setembro, aumentando os recursos investidos de R$ 12,1 bilhões em agosto para R$ 12,4 bilhões nesse mês.
Benefício de R$ 600 está garantido apenas até dezembro
Este é o segundo mês em que o benefício fica acima de R$ 600. Antes disso, o valor pago era de R$ 400, mas um complemento de R$ 200, aprovado pelo Congresso em julho, reajustou o benefício – em caráter emergencial – até 31 de dezembro deste ano.
O início dos pagamentos começou no último dia 19, para os beneficiários com Número de Inscrição Social (NIS) de final 1. O cronograma escalonado de repasses segue de acordo com o calendário oficial, com os beneficiários com NIS de final 2 recebendo o pagamento na terça-feira, 20, e assim sucessivamente, até o dia 30 de setembro, quando ocorre o último pagamento do mês, para os beneficiários com NIS de final 0.
(O POVO)





