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O Brasil que tem fome e pressa

Mais da metade da população brasileira, cerca de 125,2 milhões de pessoas, vive hoje com algum grau de insegurança alimentar. 43,2% estão vivendo com insegurança alimentar moderada ou leve e 15,5% estão em insegurança alimentar grave. São 33,1 milhões de brasileiros que estão passando fome. Um retrocesso de cerca de 30 anos.

Os dados são da segunda edição do Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia no Brasil. que analisou informações coletadas entre novembro de 2021 e abril de 2022, a partir de entrevistas realizadas em 12.745 domicílios, em áreas urbanas e rurais de 577 municípios, nos 26 estados e Distrito Federal.

Insegurança alimentar significa não ter acesso pleno e permanente a alimentos e a fome é sua forma mais grave. A pandemia complicou ainda mais um quadro de fome que já vinha crescendo, desde 2016, com o desmonte das políticas públicas de erradicação da pobreza e da miséria que fizeram do Brasil referência internacional no combate à fome.

No final de 2020, já eram 19,1 milhões de brasileiros em situação de fome. Em apenas um ano, a quantidade cresceu em 14 milhões. Para além dasestatísticas frias é fundamental nos colocar no lugar de cada número absoluto, de cada vida que está em jogo e refletir sobre o quão cruel e grave é essa situação.

São milhões de pessoas convivendo diariamente com a fome e sede, aqui pertinho da gente. A maioria são de áreas rurais. Mas elas estão também nos cruzamentos das avenidas, dormindo nas calçadas, sob os viadutos, catando os restos de comidas. Situação inconcebível para a dignidade humana e, principalmente, em um país com tantas riquezas naturais e um dos maiores produtores de alimentos do mundo.

Não podemos ser omissos. Toda caridade é bem vinda e toda a indignação é necessária. Mas, de nada adiantarão se não houver um pacto nacional para uma nova consciência de prioridade das políticas sociais de Estado de curto, médio e longo prazos. Desde o amparo emergencial até estratégias de aceleração da reversão das causas estruturais que nos posicionam, vergonhosamente, entre os países com maior desigualdade social.

(Redação do Blog Por Eliziane Colares)

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